Sobrevivente do césio-137 relata desafios e impactos do acidente em Goiás
A tragédia com o césio-137 em Goiânia completou décadas e deixou marcas profundas na vida de sobreviventes e na história do país.

Há quase quatro décadas, um aparelho descartado de uma clínica desativada em Goiânia foi manuseado por habitantes, gerando o mais grave episódio radioativo do Brasil. O equipamento acabou vendido a um ferro-velho da região depois de ser achado por coletores de recicláveis. A luminosidade azulada vinda dos fragmentos chamou a atenção de parentes e pessoas próximas, que ignoravam os riscos do material.
Semanas depois do contato com o césio-137, dezenas de indivíduos manifestaram indícios de uma enfermidade atípica. O diagnóstico de contaminação só foi estabelecido após a atuação da Vigilância Sanitária e a verificação feita por um físico utilizando um contador de radiação. O incidente provocou quatro óbitos na etapa inicial, abrangendo a criança Leide das Neves Ferreira, de seis anos, além de trabalhadores do ferro-velho e parentes dos atingidos.
Um contingente superior a 100 mil habitantes foi chamado para exames de triagem em um centro esportivo na capital goiana. Os expostos passaram por etapas de limpeza com soluções próprias e eliminação de vestimentas. Pessoas que resistiram ao desastre contaram que sofreram afastamento social e preconceito por parte de conhecidos, impulsionados pelo temor generalizado da radioatividade naquele período.
Odesson Ferreira passou a comandar a Associação das Vítimas do Césio-137 e lutou pelas garantias dos atingidos pela tragédia. Hoje, aos setenta anos, ele mora em uma propriedade rural no interior goiano, registrando suas lembranças sobre o episódio que mudou para sempre a história de sua família e os protocolos de segurança nuclear brasileiros.
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