Economistas apresentam manifesto por tributação de altas rendas em vez de corte de gastos
Um manifesto de 50 economistas defende a taxação de rendas elevadas e a revisão de isenções em alternativa à redução de gastos públicos federais.

Nesta sexta-feira (30), uma declaração conjunta assinada por 50 especialistas e economistas apresentou recomendações para os rumos econômicos do governo federal. A publicação questiona as cobranças do setor financeiro por cortes em gastos públicos e propõe taxar rendas elevadas e reavaliar benefícios tributários.
De acordo com os autores, as taxas de juros reais exercem a principal influência sobre o endividamento público. O documento salienta que a dívida bruta atingiu 82,9% do PIB no mês de agosto, ao passo que os juros custaram R$ 1,1 trilhão, o equivalente a 8,9% do PIB, superando o déficit primário registrado no período, de R$ 82 bilhões.
Entre as propostas está antecipar a cobrança da taxa mínima de 10% sobre rendimentos anuais que ultrapassem R$ 600 mil, nos moldes da Lei 15.270/2025. Os economistas sugerem ainda reapreciar isenções fiscais avaliadas em R$ 612,8 bilhões, com a intenção de elevar a receita sem desidratar investimentos em programas sociais.
No tocante às diretrizes monetárias, a comissão pede ao Banco Central a manutenção da Selic no patamar de 13,75% ao ano e o reajuste da meta inflacionária para 4,5%. O manifesto faz ressalvas ao arcabouço fiscal vigente, sob a justificativa de que as restrições impostas prejudicam aportes em setores essenciais como educação, saúde e transição ecológica.
Os signatários expressaram apreensão diante dos posicionamentos recentes do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em defesa da contenção de despesas. De acordo com os especialistas, implementar tesouradas orçamentárias pode desgastar a sustentação política da gestão e fragilizar a base aliada governamental.
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